FRANCISCO HERMES BATISTA DE ALENCAR

Inclusão da gestão educacional democrática nas práticas escolares da E. A. cf. Alencar (2019)

A INCLUSÃO DA GESTÃO EDUCACIONAL DEMOCRÁTICA NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Francisco Hermes Batista Alencar 1

RESUMO

Bem sabemos que para uma escola dar certo, o que deverá acontecer dentro desta escola para que a mesma obtenha grandes êxitos? A gestão escolar democrática deverá estar bem organizada. Então, esta escola deverá realizar um trabalho todo organizado, se não o faz, deverá realizar um bom trabalho organizado. Não devemos entrar muito nesta questão técnica da gestão e administração escolar. Na verdade, temos inúmeras teorias nas quais discutimos sobre o conceito de administração democrática escolar. Mas por que devemos começar nossa discussão por aqui? Por que, obviamente, as escolas são administradas e, dentro desta administração, existe um modelo de participação da gestão educacional democrática em sua administração. Já desde as escolas tradicionais mais antigas que tínhamos este termo de administração e, segundo o posicionamento do professor Dr. Vítor Henrique Paro (USP, 2014), vem colocar que a 'Administração Escolar seria a utilização de recursos, de forma racional, para se chegar a um determinado fim'. Partindo desta ideia de educação e gestão democrática, temos a questão da racionalidade, isto é, a forma pela qual essa é realizada e, também temos algo que é muito importante: que seria atingir fins, ou para nós chegarmos a uma finalidade. A questão fundamental aqui é a seguinte: Qual seria o fim para a educação de qualidade? Seria exatamente o trabalho pedagógico e suas vertentes. Esta seria a principal preocupação da administração escolar: o trabalho pedagógico e suas práticas didáticas, isto, é o que há de mais importante em nossas escolas.

Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem. Gestão Democrática. Práticas Pedagógicas. Educação Ambiental.

ABSTRACT

THE INCLUSION OF DEMOCRATIC EDUCATION MANAGEMENT IN SCHOOL PEDAGOGICAL PRACTICES OF ENVIRONMENTAL EDUCATION

We know that for a school to succeed, what should happen inside this school so that it achieves great successes? Democratic school management must be well organized. So, this school must carry out an organized work, if it does not do it, it must do a good organized work. We should not go too far into this technical question of school management and administration. In fact, we have numerous theories in which we discuss about the concept of democratic school administration. But why should we begin our discussion here? Why, of course, schools are administered and, within this administration, there is a model of participation of democratic educational management in its administration. Already from the oldest traditional schools that we had this term of administration and, according to the position of the professor Dr. Vítor Paro (USP, 2014), comes to put that "School Administration would be the use of resources, in a rational way, to arrive to a certain end. "Starting from this idea of ​​democratic education and management, we have the question of rationality, that is, the way in which it is realized, and we also have something that is very important: that it would be to achieve ends, or for us to arrive to a purpose. The key question here is this: What would be the end of quality education? It would be exactly the pedagogical work and its aspects. This would be the main concern of the school administration: the pedagogical work and its didactic practices, this is what is most important in our schools.

Keywords: Teaching-learning. Democratic management. Pedagogical practices. Environmental education.

RESUMÉN

LA INCLUSIÓN DE LA GESTIÓN DE LA EDUCACIÓN DEMOCRÁTICA EN LAS PRÁCTICAS PEDAGÓGICAS ESCOLARES DE LA EDUCACIÓN AMBIENTAL

Sabemos bien que para que una escuela funcione, ¿qué debe suceder dentro de esta escuela para lograr un gran éxito? La gestión escolar democrática debe estar bien organizada. Entonces, esta escuela debe hacer un trabajo organizado completo, si no, debe hacer un buen trabajo organizado. No deberíamos meternos demasiado en esta cuestión técnica de gestión y administración escolar. De hecho, tenemos numerosas teorías en las que discutimos el concepto de administración escolar democrática. Pero, ¿por qué deberíamos comenzar nuestra discusión aquí? Por qué, por supuesto, las escuelas se administran y dentro de esta administración existe un modelo de participación de gestión educativa democrática en su administración. Ya desde las escuelas tradicionales más antiguas que teníamos este período de administración y, de acuerdo con la posición del profesor Dr. Vítor Henrique Paro (USP, 2014), dice que la 'Administración escolar sería el uso de recursos, racionalmente, para alcanzar un cierto fin ". Partiendo de esta idea de educación y gestión democrática, tenemos la cuestión de la racionalidad, es decir, la forma en que se lleva a cabo, y también tenemos algo que es muy importante: que sería alcanzar fines o alcanzar un propósito. La pregunta clave aquí es: ¿Cuál sería el fin de una educación de calidad? Sería exactamente el trabajo pedagógico y sus aspectos. Esta sería la principal preocupación de la administración escolar: el trabajo pedagógico y sus prácticas didácticas, esto es lo más importante en nuestras escuelas.

Palabras clave: Enseñanza-Aprendizaje. Gestión Democrática. Prácticas Pedagógicas. Educación Ambiental.

1.1 INTRODUÇÃO

Toda a equipe escolar se mobiliza para esta finalidade, qual seja: bem executar o trabalho pedagógico, desde o zelador, até o coordenador, os professores e, todos os mais. Todos querem atingir esta finalidade, o trabalho pedagógico, com uma meta bem definida sendo a busca da escola de qualidade.

É importante deixarmos bem claro que para o professor dr. Vítor Paro (USP, 2014), por que estamos discutindo aqui sobre o professor Vítor Paro? Por que o professor José Carlos LIBÂNEO (2014), também nos orienta aqui, conforme Dr. Vítor Henrique PARO (2014), expressa da seguinte forma neste trecho o qual aqui o dispomos em destaque:

“Dentro da escola a administração é basicamente mediação. Pois, o ser humano é dotado de algo muito especial que é a questão da liberdade: o próprio ser humano construiu sua liberdade. Não seria correto dizermos que uma pessoa administra a outra. Se nós entendermos que a escola democrática é um ambiente no qual administradores administram seus administrados, então, estivemos discutindo sobre um ambiente autoritário, um ambiente que restringe a atividade de liberdade de outros indivíduos.” (PARO, 2014, pp. 7-8a)

Então, a ideia aqui não seria essa, segundo o professor Vítor Henrique PARO, não seria mesmo essa aqui, mas para ele o que quer dizer mediação?

Então, seria ‘conseguir os meios para se atingir fins’, aqui a equipe pedagógica se mobiliza em prol da educação democrática e, não há esta necessidade de meramente das ordenações, de se estabelecer ‘quem manda e, quem não manda’.

O mais fundamental dentro da administração escolar seria: Que todos compreendessem o trabalho a ser realizado para que todos possam ter suas tarefas, suas atividades.

Mas que haja uma participação em torno destas atividades das práticas pedagógicas. Então, qual seria a discussão aqui do Professor Vítor Henrique Paro?

A concepção de que a administração seria a mediação dentro da escola democrática, de que não haja a necessidade de haver um administrador e um administrado.

Não há a necessidade de haver na escola democrática: ‘Quem manda e quem obedece’. Pois, esta questão é bem mais complexa, por que o trabalho educativo parte da participação da coletividade.

Já o professor José Carlos Libâneo, este nos apresenta ao menos dois fundamentais enfoques para a questão da administração escolar, e dentro da administração escolar, qual seria o modelo de gestão, que iremos utilizar.

Aqui surgem dois enfoques; o primeiro enfoque dado pelo professor LIBÂNEO (2014) é o seguinte: “Científico-racional e, principalmente, a escola brasileira do século XIX, esta nunca teve muita necessidade de administração”.

Segundo o pedagogo e pesquisador Dr. Vinícius Reccanello de Almeida (2014):

“Pois, a grande tarefa da escola democrática era colocar alunos para dentro de suas portas, principalmente, alunos da elite da sociedade brasileira, assim, foi até os anos de 1960. Até os anos de 1960, a escola atraía os alunos da elite, este era o seu principal trabalho pedagógico. Mas desde os anos de 1930, com os pioneiros da educação, por exemplo, lá com Anísio Teixeira, já existia a ideia de trazer uma organização para esta escola de então.” (ALMEIDA, 2014, pp. 11-12ª)

E esta gestão escolar democrática, em um primeiro momento, ela é técnico-científica por que existe uma tendência, por que quando discutimos a administração escolar, existe esta tendência de nós olharmos para as empresas do ramo privado. E ao copiarmos estas metodologias do ramo privado, trazermos estas metodologias para dentro das escolas.

Então, o enfoque técnico científico-racional, este tem um pouco destas características, por exemplo, é um enfoque: objetivo, neutro, técnico. Então, uma gestão democrática científico-racional, ela terá as seguintes características: de ser uma administração democrática sempre técnica, neutra e objetiva.

Por ser uma administração NEUTRA, isto é fundamental, os problemas educacionais são problemas da ESCOLA. Não há esta mistura entre o que é o político e o que é o educacional.

Como bem antes já defendiam o Paulo FREIRE (1968) e, o Anízio TEIXEIRA, não há mesmo isto. Neutro, quer dizer: que nós cuidamos das questões, essencialmente, pedagógicas.

As outras questões são para o governo, para as outras esferas públicas. E, outra característica desta gestão científico-racional, para além de ‘objetiva, neutra e técnica’, ela tem também uma natureza da racionalidade. A RACIONALIDADE, quer dizer o seguinte: é possível haver dentro desta escola, haver PLANEJAMENTO e COORDENAÇÃO, juntos.

Todas as atividades de práticas pedagógicas realizadas dento da escola, podem ser planejadas e devidamente coordenadas. Tudo o que acontece nas imediações da instituição escolar podem e, devem ser racionalmente planejadas e coordenadas.

Pois, por que tudo isto devidamente planejado e, coordenado? Para que exista um resultado, para que a escola chegue à eficiência; para que a escola chegue à eficácia.

Para que as nossas escolas cheguem à eficiência, para que cada vez mais as nossas escolas ganhem a eficácia: estes são os resultados desejados.

E, sobre este ponto de vista, o que nós poderíamos estar a perguntar-nos, de repente, seria o seguinte: Mas, professor Almeida, parece-nos: ‘ser interessante este novo modelo de gestão democrática bem aqui apresentado?’

Aqui destacamos o ponto de vista do professor Vinícius Reccanello (2014):

“Parecem ser bem interessantes aqui, e por que é que autores como o próprio professor José Carlos LIBÂNEO, por que é que professores como Vítor Henrique PARO, por que é que professores como Demerval SAVIANI, por que é que eles não gostam deste sistema para a educação? Por que é um sistema que já nasceu equivocado dentro da escola democrática.” (ALMEIDA, 2014, pp. 13-14ª)

Este não quis olhar para as empresas em um sentido privado, mas neste sistema capitalista, retirar a essência delas. Eles quiseram retirar uma maquete, algo pronto para se aplicar na escola e, a educação não é vendida como um produto dentro do sistema capitalista. Não é assim que trabalhamos com a educação na gestão democrática.

Um outro detalhe é o seguinte: a educação é muito movida por política pública. Na verdade, são as POLÍTICAS PÚBLICAS, as POLÍTICAS de ESTADO que dão um Norte para a educação pública de qualidade. Dentro desta perspectiva científico-racional, que está mais distante dos ideais de EDUCAÇÃO democrática.

2É óbvio que o Estado brasileiro poderá estar bem próximo ou, bem-intencionado, mas os resultados adquiridos com eficiência e, eficácia, não são bons resultados para a educação.

No sentido de formação do homem enquanto ser histórico: um homem dotado de CULTURA. Então, este modelo aqui não é o modelo adotado por aqueles autores os quais discutimos anteriormente.

1.2 A Gestão Democrática escolar se faz eficaz e, eficiente em nosso país?

Olhemos para nós mesmos, aliás, não é um modelo defendido pela própria LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, 1996). Mas é um modelo o qual se aplica em muitas escolas hoje, tradicionalmente, em nosso quotidiano.

Qual seria este modelo no qual somos mais questionados em nosso meio didático-pedagógico?

Como sendo, aquele modelo de enfoque mais desejado dentro da gestão democrática escolar? Seria mesmo o enfoque crítico, ou mesmo o modelo crítico? Este mesmo enfoque crítico tem uma natureza SOCIOPOLÍTICA. Mas o que quer dizer isto para a escola?

Isto quer dizer que há uma gestão fundamentada em um enfoque crítico, para esta escola aqui, os assuntos das abordagens sociais e, políticas também interessam à escola. Não são assuntos que estarão fora dos muros da escola. Estes assuntos, que também são muito interessantes para abordá-los na escola.

Uma gestão educacional democrática está com enfoque crítico nas pessoas, diferentemente do bloco anterior que queremos apenas resultados: EFICIÊNCIA e EFICÁCIA, o foco está na tarefa, naquilo que será realizado.

Já aqui o resultado do foco crítico está nas pessoas, o eu é de mais importante neste modelo de gestão são as pessoas. E por que elas são bem importantes? Por que a partir das pessoas geramos intenções e, integrações.

Consoante as concepções do Dr. Vinícius Reccanello (2014):

“Dentro do aspecto científico-racional um determinado membro da equipe pedagógica realiza uma atividade por que está escrita no regimento interno. Já aqui no enfoque crítico, ele realiza uma determinada atividade, por que a intenção dele, a vontade dele, que aquilo ocorra é que o resultado seja atingido do ponto de vista pedagógico, faz parte das pessoas dialogarem, interagirem e, encontrarem soluções para o trabalho pedagógico, para o processo educativo.” (ALMEIDA, 2014, pp. 15-16)

Além de ter esta natureza sociopolítica, existe uma forte carga ética e moral aqui dentro, por que parte do indivíduo a vontade de ser educador.

Este é um ponto extremamente importante; e o que nós iremos perceber? Para o enfoque CRÍTICO, a escola democrática não é apenas uma instituição social que só recebe os alunos. Mas o que seria mesmo isto?

Este enfoque, a escola seria um espaço de construção da sociedade. Mas o que nós poderemos construir nesta sociedade?

Seriam os ideais, aquilo que muitas vezes, o currículo nos traz, aquilo que a ética, a cultura nos trazem e, aquilo que seja bom, que seja positivo, e aquilo que queremos reproduzir isto, no sentido de querermos reconstruir isto, em cima disto construir novos valores ou, fortalecer determinados VALORES dentro da sociedade.

E quem participa deste processo de construção de novos valores dentro desta sociedade?

Neste processo participam os pais, os alunos, os professores, etc., temos, portanto, aqui um enfoque crítico. E qual é o objetivo aqui neste enfoque crítico? Seria também podermos alcançar a partir da educação a eficiência.

Seria o mesmo objetivo, a diferença está no enfoque científico-racional é que; a eficiência nos resultados diz respeito aos resultados desejados em torno de números, de índices. Já aqui a eficiência diz respeito aos aspectos de formação do ser humano histórico.

Quando discutimos sobre a formação do ser humano histórico queremos ressaltar, vejamos que interessante: o ser humano tudo isto que nós vemos, o fato do homem ter ido à Lua, toda a nossa tecnologia. Tudo isto só foi produzido, por que?

Por que alguém pensou o que queria fazer, dimensionou como iria fazer, e o fez, isto é, coisas típicas do trabalho do ser humano; criando meios para uma determinada finalidade. Típico do trabalho do ser humano ao longo de sua vida.

E isto só existe por que intenções, deste homem em transformar o seu meio. E, depois que analisamos tudo o que o homem transformou, chegamos em algo chamado C-U-L-T-U-R-A. Todos nós sabemos sobre os valões, os símbolos, os objetos, tudo o que nós transformamos, tudo isto nós chamamos de cultura.

E o mais interessante disto tudo, cada geração não precisa recomeçar do zero, o seu ‘processo cultural’. Nós podemos herdar aquilo que foi construído, culturalmente por outras gerações, anteriores à nossa própria geração.

Pois, por isto nós também temos este enfoque da formação do ser humano HISTÓRICO. A escola precisa formar um ser humano histórico, isto é, que mantenha sua linha progressiva, que mantenha sua contribuição com aquilo que acontece na vida humana.

Isto tudo em torno da gestão democrática, vejamos que a gestão é na verdade a reflexão do Professor Vítor Henrique Paro: seria a ‘utilização de recursos racionais para se chegar a um determinado fim’. Então, qual seria a RACIONALIDADE que queremos dentro da nossa escola?

Segundo a concepção do professor Dr. Vinícius Reccanello (2014):

“Queremos um enfoque mais científico-racional ou não, queremos uma escola mais crítica? Queremos um posicionamento mais crítico ou, uma gestão mais crítica? Ainda com base nos textos do professor José Carlos Libâneo, o que mais poderemos abordar? Podemos rever alguns modelos de gestão, ou seus enfoques. O primeiro modelo de gestão, também é uma modelo técnico-científico: Qual seria a grande característica deste modelo técnico-científico? A grande característica deste modelo está voltada para aquele enfoque ali abordado anteriormente, o científico-racional, mas o Libâneo, acaba criando ou, até que seja mesmo desenvolvendo esta visão que abordamos aqui.” (ALMEIDA, 2014, pp. 17-18a)

Mas qual seria o papel do diretor administrativo aqui neste caso particular? Pois o diretor centraliza todo os poderes em sua pessoa, todas as decisões estão centralizadas neste indivíduo.

É sua a palavra final, as formas como serão pensados também lhe competem. Pelo fato deste DIRETOR CENTRALIZAR PODERES, são criadas dentro da escola as hierarquias ou, então, o quadro hierárquico, a ESTRUTURA HIERÁRQUICA.

E dentro desta hierarquia rígida, nós temos duas questões interessantes aqui: a primeira diz respeito ao FUNCIONALISMO.

Então, nesta perspectiva aqui cada um tem a sua FUNÇÃO, e a exerce de forma RÍGIDA, podendo até afirmar de forma um tanto LIMITADA. E, ainda, dentro desta escola nós teremos uma comunicação predominantemente: LINEAR, não é uma comunicação DIFUSA.

3Em que os mais variados setores da escola têm autonomia para se comunicarem, no qual, por exemplo, podemos migrar do ponto mais simples para o mais complexo, para nos relacionarmos.

Por exemplo, do setor mais simples, relacionamo-nos com a direção administrativa daquela instituição de ensino pública, ou privada, também, através do conselho escolar.

Qual seria aqui esta ideia de comunicação linear? Manter esta hierarquia, na qual nós temos: professores – coordenadores – supervisores – direção administrativa.

Bem abaixo dos professores, há ainda outros cargos subsequentes. Um outro detalhe que nós temos aqui com relação a este modelo de administração ou, de gestão, é que a ênfase está nas TAREFAS e, não nas ‘pessoas’.

Consoante a concepção do Dr. Vinícius Reccanello (2014):

“Aqui voltamos naquele objetivo de um grau de eficiência, de um resultado que tenha eficácia, ou seja, eficiente, ou mesmo ambos os casos. Além daquele modelo de gestão ali exposto anteriormente, um outro trazido pelo professor José Carlos Libâneo seria um modelo de gestão: AUTOGESTIONÁRIO.” (ALMEIDA, 2014, p. 19a)

Este modelo, a autogestão, vem daquela vertente do começo do século XX no Brasil.

Então, aquelas escolas e aqueles grupos anárquicos que já traziam os valores do anarquismo para dentro da administração escolar, houve aqui este ideal de processo de formação escolar de autogestão, temos um processo AUTOGESTIONÁRIO, que seja uma escola AUTOGESTIONÁRIA, como queiramos, trabalharmos com esta denominação. Aqui ocorre a DESCENTRALIZAÇÃO, não há a figura do diretor, sendo CENTRALIZADORA aqui.

1.3 Gestão Autogestionária e, descentralização na participação coletiva

O primeiro ponto importante: o poder não está nas mãos de uma única pessoa. Segundo ponto fundamental: PARTICIPAÇÃO COLETIVA.

A participação coletiva tanto existe na hora de tomar iniciativas, na hora de elaborar projetos quanto também na hora de tomar decisões, e vice-versa, as decisões são tomadas coletivamente e, as decisões são dadas também coletivamente.

E o modelo muito peculiar deste tipo de gestão, por exemplo, são as ASSEMBLEIAS. então, tudo é decidido a partir das assembleias. Só que este modelo aqui para nossa pesquisa ele é bem menos importante.

Por que existem bem poucos e, a escola pública, os Estados, os governos de cada Estado não estão focados no mesmo, neste modelo. Obviamente, que não, mas por que?

Por que em uma ADMINISTRAÇÃO AUTOGESTIONÁRIA, as normas que vem do Estado, as regras que vem do Estado, não interessam a estes gestores, a estes modelos de gestores, não interessam mesmo. Eles não se apegam a NORMAS e SISTEMAS de CONTROLE.

Eles fazem suas próprias NORMAS e, eles mesmos constroem seus próprios SISTEMAS. Mas quando nós discutimos sobre a LDB – Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, não há como nós fugirmos disto aqui: Gestão Democrática-Participativa. O que quer dizer Gestão Democrática-Participativa?

Isto quer dizer que agora nós estamos discutindo um ideal de gestão na qual todos, inclusive os alunos, participam deste modelo de gestão.

Então, nós temos aqui a direção da escola, atuando e decidindo, a direção atua e decide juntamente com o restante da equipe escolar. Também participam deste modelo de gestão aqui: os pais, os alunos, bem como a comunidade, na qual está inserida aquela INSTITUIÇÃO PÚBLICA de ensino naquela localidade.

Pois, consoante as concepções do Dr. Vinícius Reccanello (2014):

“A participação de todos aqui é bem-vinda. Logo, qual seria o modelo de decisão que nós temos? Seriam as DECISÕES COLETIVAS, pois não há uma única pessoa responsável para decidir o futuro da escola, os PLANEJAMENTOS. e o grande exemplo está aqui: no PPP, no Projeto Político-Pedagógico, que para a LDB, deverá ser feito dentro de uma gestão democrática. Não existe um Projeto Político-Pedagógico se não for dentro de uma gestão democrática.” (ALMEIDA, 2014, p. 19b)

O outro ponto: Se todos participam; para participar, todos devem estar muito ‘bem intencionalizados’ e, INTEGRADOS, ou seja, interagindo com a escola. Além disso, a QUALIDADE: os participantes precisam ter qualidades, quais sejam: CONHECIMENTO e, COMPETÊNCIA, isto é, devem buscar isso constantemente, sem cessar o percurso desta busca.

Por que se nós estamos discutindo uma gestão democrática-participativa, todos irão atuar.

4E para que todos obtenhamos um trabalho cem por cento, o trabalho possa atingir a finalidade desejada, todo ele deverá ser bem feito. Então, não dará para ter uma gestão como esta se não houver QUALIDADES: se não houver COMPETÊNCIAS, se não houver CONHECIMENTO, se não houver PROFISSIONALISMO.

Um ponto importante: Quando discutimos sobre algo DEMOCRÁTICO, sobre algo PARTICIPATIVO, também fica difícil para nós definirmos o que significa cem por cento das coisas que irão ocorrer nesta escola.

Então, os processos devem estar sendo avaliados o tempo todo. Muito importante se faz a ocorrência das AVALIAÇÕES DIAGNÓSTICAS sobre a gestão e, também sobre o trabalho pedagógico.

Então, todos avaliam e, todos são AVALIADOS, inclusive, o diretor administrativo da escola. E bem aqui, finalmente, temos um ponto para nós encerrarmos que seria o seguinte: Por que este foco nas PESSOAS e, não nas TAREFAS?

Por que, independentemente, de tudo que aconteça na escola, às vezes, nós temos escolas extremamente organizadas, mas ela não está pensando somente no seu alunado, em formar o aluno. Então, o que seria tão e muito importante aqui a título de observação?

1.4 O que nós temos de mais importante dentro de uma gestão democrática-participativa?

Estas seriam as PESSOAS: é o que ocorre dentro do enfoque CRÍTICO. As pessoas são as mais importantes. E, por que aqui as pessoas são as mais IMPORTANTES? Por que as pessoas possuem SUBJETIVIDADES, e, aqueles alunos que nós estamos educando também possuem SUBJETIVIDADES. E esta subjetividade quer dizer o quê?

Para o Dr. Vinícius Reccanello (2014) seria o seguinte:

“Esta subjetividade significa: VALORES, PRINCÍPIOS. Então, o que as pessoas pensam é importante que seja observado e ouvido. As SUBJETIVIDADES são FUNDAMENTAIS para os processos mediadores dentro do TRABALHO da ESCOLA, para o trabalho escolar, para o TRABALHO PEDAGÓGICO.” (ALMEIDA, 2014, pp. 22-23ª)

Como a denominação já nos propõe, a administração escolar envolve duas coisas, quais sejam: ADMINISTRAÇÃO e, ESCOLAR; por mais óbvio que nos pareçam, isto não é levado em conta. Às vezes, é levado em conta, nem a educação e, quando é levado em conta a educação, não é levado em conta o ESCOLAR.

A Administração é uma denominação mais antiga no Brasil e, existem muitas correntes por aqui, muitas maneiras para se falar por aqui, sobre administração.

Nós preferimos, podermos conceituar ADMINISTRAÇÃO como sendo: “utilização racional de recursos para atingir determinados fins”. (PARO, 2014, p. 6a)

Como seriam as estruturas, como se forma uma escola na gestão democrática participativa? Ou mesmo o que poderia envolver a administração escolar neste campo didático-pedagógico?

Para o professor5 Vítor Henrique Paro, administração significa, essencialmente: a MEDIAÇÃO.

Este conceito é muito bom por que ele corrige dois equívoco que existem seríssimos e, que normalmente se fala em administração, estes dois equívocos são o seguinte:

-Primeiro, quando falamos em ADMINISTRAÇÃO, parece que precisa ter necessariamente alguém que administra e, alguém que é administrado, como se o ser humano fosse tão pobre, em termos de qualidades que ele não fosse capaz de se autoadministrar-se, que não fosse capaz de coordenar seu trabalho coletivamente com os outros, mas em uma SOCIEDADE AUTORITÁRIA, os conceitos também acabam por sofrer as consequências deste AUTORITARISMO também.

Quem é o administrador e, quem são os administrados? Dois equívocos que este tipo de conceito consegue corrigir: primeiro erro, sempre acharmos que existe alguém que administra e alguém que é administrado, seriam dois partidos ou, mesmo duas figuras diferentes.

O segundo equívoco é acharmos que administração se refere apenas às atividades do meio. Então, para pegarmos a questão da administração, sempre que falamos que a Secretaria de Educação, o Ministério da Educação, nas Diretorias de ensino, dizemos que é ADMINISTRATIVO. Quando chegamos na escola, pensamos que é o diretor que é ADMINISTRAÇÃO.

1.5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A título de preâmbulo: O que seria mesmo a administração escolar?

Administração ou gestão? Racionalização do trabalho e coordenação. A administração tipicamente capitalista. A escola é uma empresa? A lógica do capital e a lógica da escola. Quais os objetivos da escola? Qual seu produto?

Consoante as concepções do Professor Vítor Henrique PARO (2014):

O conceito de humano-histórico. A cultura como produção humana. O conceito de educação. Nossa escola não ensina. A escola tradicional. Educar e educar-se. Nossa escola é antipedagógica. A fúria gestionária. Direção coletiva. Os testes e sua crítica. Conhecimento não se transmite. Divisão social do trabalho. Conceito de política. A ética da administração escolar. O salário e o trabalho forçado. A exterioridade do objeto de trabalho de modo geral. A peculiaridade do trabalho pedagógico. O diretor, um educador. A eleição de dirigentes. Não faltam soluções, falta o problema. (PARO, 2014, pp. 7-8a)

A secretaria da escola é administrativo, daí para baixo, parece-nos que não existe mais ADMINISTRAÇÃO, esta é uma falha terrível.

E esta falha, em certo sentido, ela é muito articulada com a outra. Esquecemos que administração, este conceito de ADMINISTRAÇÃO como MEDIAÇÃO diz respeito a todos os momentos para se alcançar determinados fins.

É um empreendimento sendo realizado, a administração não precisaria ter nem administrador específico, seria a preocupação com todos os recursos, seria a preocupação com os recursos financeiros, com os recursos materiais, com os esforços humanos, com as pessoas, com os esforços humanos envolvidos, com as pessoas e, com tudo isto.

Diante daquele, ou por consequência daquele equívoco de achar que sempre alguém manda e, alguém é mandado, parece-nos que a administração, sem dúvidas, apenas seria: ‘controlar o trabalho dos outros’. Então, isto é muito problemático, por que esquecemo-nos que a administração permeia todo o processo.

Quando nós estamos na atividade-fim que é ‘processo pedagógico’, a situação de ensino, nós estamos utilizando recursos, estamos mediando na utilização destes recursos, sejam ele: conhecimentos, comportamentos, os recursos dos quais dispomos, pois, nós levamos a CULTURA de um modo geral.

Na sala de aula: o relacionamento entre os educandos, o próprio educando, como verdadeiro objeto, que será transformado neste processo de produção.

Isto é o que precisa ser bem feito, ser feito a forma mais econômica possível, isto é, despendendo menos recursos possível, isto sendo feito da forma mais adequada possível, utilizando o método mais adequadamente.

Para o professor Dr. André Luiz Batista da SILVA (2014), comenta o seguinte:

A TRANSMISSÃO e, a APROPRIAÇÃO, estas não são, na verdade, essencialmente, ANTINOMIAS. Não adianta relacionar o texto de Paulo FREIRE com o de Demerval SAVIANI, ou até mesmo, o CONSTRUTIVISMO com esta PEDAGOGIA histórico-crítica. (SILVA, 2014, p. 23-24ª)

Todas as variáveis aqui para que o aluno possa aprender melhor. De fato, esta é a administração mais importante na escola. Pois, qualquer administração: só será mais ou menos bem-sucedida, se ela conseguir atingir os seus fins.

Tudo que nós fazemos desde o Ministério da educação ou, bem antes disto, se não está BEM ARTICULADO àquilo que se realiza em um processo pedagógico, não servirá para nada: é aquilo que será a sua própria razão de ser das práticas pedagógicas quotidianas.

Já as atividades do meio: a merendeira, a secretaria da escola, o diretor, tudo isto existem em função daquilo; isto seria ADMINISTRAÇÃO; esta ADMINISTRAÇÃO é a mediação para uma realidade de um determinado assunto dado neste contexto.

Aqui o que mais ocorre? Temos o vocábulo ADMINISTRAÇÃO, o qual preferimos no lugar de GESTÃO. Mas nós o temos utilizado ultimamente, pois isto existem as modas. Mas as modas nunca são totalmente inocentes, estas já perfazem, portanto, sua carga IDEOLÓGICA de quem cria as regras do jogo.

Nós preferimos administração, mas nos utilizamos de um livro: o mesmo defende a administração democrática da escola pública. Não tem nada contra neste determinado aspecto.

Passamos para não entrar em grandes discussões sobre tal assunto, como sinônimo gestão em educação. Mas vejamos aqui, isto já é uma posição crítica, diante de tal fato. Nós usamos como sinônimo por que queremos que GESTÃO ou ADMINISTRAÇÃO, signifiquem: mediação, ou todo tipo de mediação.

Em uma sociedade autoritária, vejamos que existem duas divisões, dentre estes dois grandes campos: sejam a Racionalização do trabalho, este sendo a utilização racional de tudo que lhe exista em termos da disponibilidade dos recursos materiais; e que envolvem o PROCESSO de PRODUÇÃO: a PEDAGÓGICA.

6Conforme as concepções da psicopedagoga Dra. Iara SILVA (2015):

Queremos enfatizar aqui a última fala do professor Dr. Vítor Henrique Paro, em que menciona que a escola deve identificar o problema: (...) saber o que a escola precisa para formar seres humanos históricos (...) a criança se apropriar da cultura inteira e fazer-se sujeito (...). Caro professor, foste extremamente feliz em sua colocação, por sua relevância como objeto de reflexão a nós educadores-professores em nosso processo de formação para interiorização e, mudanças em relação à PRÁTICA PEDAGÓGICA, a qual deve considerar a INTERCULTURALIDADE (DORNELLES, 2007), dos atores do contexto escolar, em especial, crianças e adolescentes. (SILVA, 2015, p. 19a)

Então, seria o próprio estudo acerca do trabalho pedagógico. Hoje em dia, estamos a nos utilizar de um termo mais adequadamente elaborado que são CONDIÇÕES OBJETIVAS, estes seriam os recursos objetivos: Seria a sala de aula, quando é em sala de aula; seriam os materiais didáticos; seria a utilização disto dos recursos financeiros. A administração do pessoal que trabalha com estes recursos.

1.6 Um outro tipo seria a Coordenação do ‘esforço humano coletivo’?

Ou sendo, simplesmente a COORDENAÇÃO, significa o seguinte: a administração sempre supõe, quando nós estamos discutindo sobre administração escolar, principalmente. Como estamos falando o esforço de uma empresa efetiva, esta evolve o esforço de muitas pessoas e, não de um só pessoa.

Pois, estes esforços devem ser coordenados. Quem pensa em uma sociedade antiga, já se pensa em alguém a coordenar mais alguém, seria isto natural?

Não, nada natural: isto é definitivamente histórico. Natural seria na natureza, na qual o leão come o cordeiro, tudo bem. Mas, aqui isto seria muito comum, ou seja: alguém coordena alguém.

Vejamos, quando estamos em um processo no qual existem ‘dominados e dominante’, dominadores. O dominador coordena o trabalho do outro, na verdade, controla o trabalho do outro.

Para cortar caminho, seria o que nós temos no trabalho nesta sociedade hodierna. Pois, estamos em uma sociedade capitalista, esta é produzida a partir do uso do CAPITAL.

O dinheiro que compra meios de produção, e compra aquilo que denominamos ESFORÇO HUMANO COLETIVO, mas que, tecnicamente, seria mesmo: ‘força de trabalho’. Compra-se a energia humana para se produzir.

Vejamos que os objetivos são do capital ou, do proprietário do Capital, sempre que discutirmos sobre Capital, nós entendemos que este seria o proprietário do Capital.

7Segundo a concepção da psicopedagoga Dra. Laudi BARRETO (2014):

Às vezes fico pensando, existem tantos especialistas em educação, tanto material de qualidade, tantas indicações de solução para a Educação brasileira e me pergunto: O que acontece por que ninguém consegue influenciar os órgãos superiores? Não conseguem se fazerem ouvir. Fala-se, fala-se, escrevem-se tantos livros, o Youtube.com está cheio de ideias inovadoras e revolucionárias e carregadas de soluções e, o que acontece que nada acontece? Se acontece, porque as reclamações ainda são as mesmas? Temos professores ainda hoje, indo brigar com cavalos? Ficam lá xingando os governantes; esquecem todo o português rebuscado que ninguém entende, desbocam em palavrões como se fossem uns xucros. Desdizem através dos xingatórios aquilo que eles mesmo defendem, chamando os governantes por palavras preconceituosas a respeito de escolhas pessoais. Só eles podem dizer é claro, ninguém mais, se não é preconceituoso e daí mais duas horas ouvindo o sermão (...). Seria isso mesmo, um dos problemas? (BARRETO, 2014, pp. 11-12)

Por que os meios de vida, as condições objetivas de vida estão nas mãos de uma minoria, para aqueles que são detentores dos MEIOS de PRODUÇÃO. Isto quer dizer: que são ‘detentores do CAPITAL’ e, têm condições de comprar meios de produção.

O que seriam os ‘meios de produção’? Seriam os objetos de trabalho que são INSTRUMENTOS de TRABALHO.

O ‘trabalhador não tem isto’, nem tem dinheiro para comprar tudo isto. Ele não tem dinheiro para comprar uma indústria, ele não tem dinheiro para comprar material necessário para produzir: para vender e para ganhar dinheiro.

Nem tem dinheiro para comprar a ‘força de trabalho do trabalhador’. Quem tem dinheiro é o CAPITAL.

Então, em qualquer EMPRESA CAPITALISTA: de produção material, da produção, da existência MATERIAL na SOCIEDADE, ela partirá desta dicotomia: que há os proprietários do meio de produção, e que manda. É como se o Capital, os poderosos, sempre foi assim, na sociedade de classes.

Hoje nós temos sociedades superdesenvolvidas, supercomplexas, na forma do capitalismo. Lembremos da ESCRAVIDÃO, por exemplo, o proprietário dos bens de produção era também o proprietário, inclusive, do trabalhador. Hoje isto não é assim, existe uma dominação, mas é uma dominação diferente.

Vejamos, o proprietário dos meios de produção tem um requisito do LUCRO, sempre, seja em uma fábrica de tamanco ou mesmo, uma fábrica de foguetes teleguiados, ele quer é o LUCRO.

Para a professora Dra. Adriana PADRÃO (2014), esta é enfática ao afirmar-nos:

“Esta reflexão é tão profunda, mas infelizmente os professores acabam por reproduzir o ensino da mesma forma como foram ensinados. Basta conversar com os alunos e escutarem o que eles têm a dizer, são poucos profissionais que fazem a diferença na vida do educando. A faculdade de pedagogia atualmente não dá suporte necessário ao professor. Adoraria ver exemplos concretos desta forma de educar na sala de aula.” (PADRÃO, 2014, pp. 13-14)

Inclusive, um administrador de uma empresa capitalista, nem precisa entender do produto. Pois, basta o mesmo entender de lucros, basta entender de como nós conseguimos aplicar os recursos financeiros: fazermos as compras, fazermos as vendas, etc., etc., desde que seja da forma mais adequada.

O indivíduo que produz televisores, não está preocupado com o segmento televisão, nem precisa gostar de televisores.

Ele quer que estes televisores se transformem em recursos financeiros, dependendo de seus objetivos. Já a escola privada, ele estará preocupado com o lucro, simplesmente assim mesmo.

Mas é claro que há também escolas privadas que pessoas abnegadas. Muitas pessoas que não são exploradores da força de trabalho, que eles mesmos trabalham onde os mesmos têm uma escola deste tipo. Por uma questão até bastante complexa.

Então, para ficarmos entre a educação e o capital, nós temos que ver a diferença se estamos falando de administração escolar, devemos saber: Qual o objetivo da educação? Mas, por que não?

1.7 A questão da administração da escola pública seria como um câncer dentro desta lógica capitalista?

Dentro da administração escolar, observamos o trabalho da obra de Vítor Henrique PARO, Miguel ARROYO (2014) e, de outros autores mais, aliás, poucos autores trabalharam criticamente este assunto.

A lógica era a seguinte: ‘a escola não é uma empresa’, ou uma por outra, ‘a escola não é como uma empresa’. Por que uma empresa, por exemplo, uma fábrica de parafusos, está preocupada com OBJETOS, esta produz objetos. Já a nossa escola, não.

A escola lida com os seres humanos. Então, eles partiam disto para dizermos: peguemos a lógica da administração empresarial e, ao aplica-las na escola, fazermos as adaptações, por que uma ESCOLA é diferente da EMPRESA.

Já aqui o professor Vítor Henrique PARO (2013), nos afirma: Não, a escola é diferente da empresa, por que as empresas são diferentes entre si: uma fábrica de sapatos é bem diferente de uma fábrica de televisores. Percebamos que ambas têm um objetivo, que é o LUCRO.

Para alcançara este objetivo, há aqui um princípio básico na administração que seria o seguinte: se a administração é mediação, então, os ‘meios devem estar adequados aos fins’ (cf. PARO, 2013). Pois, nós não vamos pescar com uma metralhadora, muito menos vamos para uma guerra com uma vara de pescar.

Segundo a psicopedagoga Dra. Maria Lúcia VASCONCELLOS (2014):

Condições de trabalho, salário digno, educadores conversando trocando experiências, sem se preocupar com outros problemas a não ser fazer seu aluno ter vontade de aprender. O ensino fundamental ser menos valorizado que o ensino superior, demostra a ignorância que vive o nosso país. Escola tem objetivo de propiciar condições de criar sujeitos-históricos. Capacidade de conviver com o outro democraticamente. (VASCONCELLOS, 2014, p. 23ª)

Aqui devemos usar os meios adequados, pois, na empresa capitalista, por exemplo: seria plenamente adequado à sua racionalidade. Ou seria de diferente disso?

E, à sua eficiência, que os proprietários dos meios de produção dominem o trabalhador. Não há nada contra, pelo contrário, se ele não dominar não conseguirá seu lucro. Mas por que? O seu objetivo é o lucro, não há outro.

E quem se aproxima da dominação científica do que seja o lucro, sabemos que o ‘LUCRO é o valor excedente produzido pelo trabalhador: ele receberá o PAGAMENTO de uma parte, daquilo que ele despende em temos de esforço humano’ (PARO, 2014).

8Mas a maior parte, que o mesmo despende, que está produzindo valor que, depois ele se transformará em lucro no CAPITAL, este ele não receberá. Mas por que não? Por que ele é quase como que sequestrado: observemos, não temos meios de subsistência.

O capitalista os tem e, nós queremos viver ou, sobreviver, sim? Então, vivemos articulados com os objetivos do capitalista e, não há outra maneira. Vejamos que, este conceito de trabalhador é extenso, ou simplesmente o conceito do proletário, do trabalhador, do industrial.

O trabalhador é todo aquele que não conta com meios de produção, isto é, condições objetivas para viver e, este tem que ser empregado daquele que tem. Seja no Estado, seja no capital (cf. PARO, 2014).

Aqui os argumentos: o objetivo e o fim estão bastante articulados, assim sendo, podemos ser dominadores e alcançarmos bons objetivos. A pergunta que devemos fazer seria a seguinte: Seria possível aplicarmos esta lógica na escola pública?

É esta a pergunta que deveríamos fazê-la: Seria possível alcançar o objetivo educativo, dominando o trabalhador? E, aqui chegaremos à conclusão que é a seguinte: Isto não será possível.

Não seria possível, nem em termos POLÍTICOS, pois, não seria aconselhável, não seria um tanto ético fazê-lo; uma vez que, nem temos métodos e técnicas, pois, ao tentarmos fazê-lo, não conseguiremos fazer nada! Seria isto, mais ou menos, o que vem ocorrendo em nossa EDUCAÇÃO BRASILEIRA.

Conforme a pedagoga Dra. Deise GUERRA (2016), esta coloca o seguinte:

Eu gostaria que quem se apropriou desse fato (o de educar de fato) saísse de sua 'zona de conforto' e realizasse uma passagem em uma das escolas públicas de periferia com 50 alunos (que não querem aprender) e usasse dessa ‘força de trabalho’ durante cinco anos com todos os enfrentamentos que há no caminho e, depois, escrevesse sobre tudo ou todos que conseguiu educar como exemplo àqueles que, como ele disse, não sabem educar, ou seja, aos incompetentes. (GUERRA, 2016, p. 16a)

Tentando fazer rápido ou errado, nem aquilo que costumamos conseguir, nem mesmo assim o conseguimos, assim passaremos a demonstrar logo mais. Mas não seria apenas o fato de: este aluno ser diferente do trabalhador?

A diferença seria a seguinte: Vejamos, mas por enquanto, devemos compreendermos o seguinte, não basta sermos EFICIENTES, ADMINISTRATIVAMENTE. Mas seria preciso sermos eficientes administrativamente para alcançar aqueles objetivos pretendidos.

Poderemos ser muito eficientes a salvar vidas em um hospital, também poderemos ser muito eficientes a ‘produzir o tráfico de drogas’; ou até mesmo a matar pessoas em uma guerra.

Percebamos, é uma questão de ética profissional, não de estética, mas uma questão política. Na escola, nós precisamos saber qual é o objetivo daquela escola. Precisamos saber qual é o produto da educação, que é ignorado constantemente em nossa bendita política educacional.

1.8 Quais seriam mesmo os objetivos principais da escola conforme a nossa política educacional?

Isto é ignorado pela direita, pela esquerda e por todos nós., mas por que? Por que ignoramos o que está ‘envolvido no processo de produzir que existe na escola’.

O que se produz? Numa fábrica de calçados se produz sapatos, mas estamos ao mesmo tempo produzindo valores, que darão o LUCRO. Na escola. O que nós queremos produzir? O Lucro, ainda não, especialmente, esta escola sendo pública.

Segundo as concepções do depoimento deste professor, o Dr. João COIMBRA (2014):

“Professor Vítor H. Paro, assisti sua vídeoconferência, nunca li nada que escreveu, mas fiquei interessado. Seu entendimento da necessidade da democracia política na educação é estimulante. Acredito até que, assim sendo, dependemos dos educandos que se apropriam da cultura e consigam aperfeiçoá-la, terem condições de evoluir, corrigir os erros que as gerações anteriores cometeram. Isso é o que estamos perdendo, ameaçados de regredir. Mas tudo depende do que seja progredir ou regredir, e isso são os novos seres bem-educados que vão decidir. Um princípio democrático que precisamos defender é o da liberdade de expressão, com a força dos argumentos podemos ser convencidos e no processo de convencimento podemos nos converter. E, educação é o processo de socialização de gerações, é onde acontece um encontro de gerações representadas pelos professores e alunos, quando os educandos entram em contato com a cultura vigente apresentada pela escola. Mas o que a educação vai produzir ninguém pode prever, a avaliação que as futuras gerações farão da nossa cultura não pode ser prevista, não se pode determinar, não devemos determinar. Nossa salvação está exatamente na educação que permita que as novas gerações terão liberdade de inventar um mundo novo, completamente diferente e, muito melhor, ainda mais inovador” (COIMBRA, 2014, pp. 16-17ª)

Pois, o que queremos produzir ali, podemos dizer logo de cara: Queremos produzir ali um ‘ser humano histórico’. Nos queremos produzir, queremos formar personalidades.

E esta reflexão precisamos fazê-la como condições em qualquer discussão em educação. E como podemos fazer esta discussão. O pesquisador Peter Bruncker, que era considerado um ‘Papa da gestão empresarial’ aí, afirmava: Primeiro, precisamos saber qual é o nosso negócio (cf. in PARO; BRUNCKER, 2014).

Ao parafrasearmos o texto de Peter Bruncker: precisamos saber qual seria o nosso objetivo, se nós quisermos ‘administrar bem’. Então, o que precisamos imitar da empresa não são os seus métodos, mas se isto funciona lá, aqui não irá funcionar desta forma.

Nós temos que imitar aqui, prestemos bem atenção: aqui devemos copiar da empresa a eficiência cm que ela INTEGRA ‘meios a fins’, a eficiência com a qual ela articula bem seu desafio.

E a escola não consegue isso. Ao invés de fazer isto, a escola copia os meios da empresa e, abstrai, esquece os objetivos da escola: e aqui desgraça completamente.

Qual seria o fim da escola? A finalidade para a escola seria o ser humano. Mas seria um ser humano mais completo, não seria, simplesmente, o homem como animal racional.

O homem é um animal, sim, mas este não é apenas um animal. Animal aqui entra no sentido de NATUREZA, animal no sentido de: como aquilo que existe, independentemente, da vontade humana.

9 Segundo a pedagoga Dra. Capitu NASCIMENTO (2014):

O sociólogo anglo-polonês Zigmunt Bauman, em fins da década de 1990 indicava, em seus trabalhos sobre a ‘Modernidade líquida’, como grande questão pela frente, no próximo século XXI, já na primeira década (2000), a ‘administração’. Isto, depois de tecer inúmeras considerações em torno da ‘meritocracia’. Mas no mundo em que a estratégica ‘Globalização, diferente da Mundialização’, a educação brasileira vê-se mergulhada numa ‘multiplicidade, que acirra as desigualdades socioeconômico’ e, étnico-culturais do nosso povo em construção. (NASCIMENTO, 2014, p. 18b)

Observamos um ‘corpo que cai’: eis aqui uma lei natural. E, assim por diante; já o homem, transcende este específico. Então, precisamos saber sobre este específico, aquilo que só o homem tem, aquilo que se nós tirarmos acaba o homem.

Percebamos aqui: o homem tem mil coisas, homem pode ser mulher, pode ser homem, pode ser gordo, pode ser magro, ‘pode ser de tudo’.

Mas se nós tirarmos uma coisa do homem, o mesmo deixa de SER HUMANO. Isto nós sabemos o que é: estamos discutindo o homem nos seus sentidos mais gerais: o homem branco, moreno, vermelho, amarelo, todos eles.

1.9 O que a espécie humana tem que a identifica como sendo propriamente humana?

Por que nós temos que saber o que significa isto, para colocarmos isto como objetivo da escola e, daí, sim, não teremos mais problemas para repensar ou, administrarmos. Do que precisamos para isto?

Este é único ser que DIANTE do REAL, o mesmo se pronuncia. Nós dizemos: Isto queremos, aquilo não queremos. Ao fazê-lo, uma grande questão ética, não no sentido de moralismo, mas no sentido de afirmar sua vontade.

Nós dizemos: é bom chegarmos rápido, mas sem fazer muita força. Em um determinado momento nós andávamos necessariamente a pé, como qualquer animal que tivesse duas pernas.

Em um determinado momento nós falamos: ‘Não, nós queremos chegar depressa sem fazer força!’ Neste momento, nós criamos alguma coisa nova e, até relutante: o VALOR, o que nenhum ser consegue fazer, que é CRIAR.

Este valor é expressão de sua vontade: ‘Nós queremos!’ Este estabelece um objetivo, e falamos: ‘Se nós andarmos encima deste quadrúpede que há aqui perto de nossa caverna, vamos chegar mais depressa, eis aqui o VALOR’, (cf. PARO, 2014, pp. 29-30ª).

Aqui estabelecemos um objetivo e, aplicamos uma ação a este objetivo. E esta ação aplicada a um determinado fim é um conceito mais científico, no valor de trabalho humano que, sendo todo o conceito.

O ser humano que diferencia este conceito de trabalho, está amparado em um CONCEITO ONTOLÓGICO: um ser homo como aquele que se pronuncia diante do REAL, um ser que é ético, que tem vontade de ser, que é sujeito, a palavra mais importante é sujeito.

Vejamos que aqui: ‘Quando ele tem um valor, estabelece um objetivo e, aplica sua ação, a qual chama de trabalho, aí veja, uma ‘atividade adequada a um fim’; o animal também transforma a natureza’, (cf. PARO, 2014, pp. 31-32b).

Conforme a psicopedagoga Dra. Maria FLOR (2014), no trecho seguinte:

Excelentes explicações do professor Vítor Henrique PARO. Onde falamos a respeito da Gestão Escolar Democrática e consegue acrescentar assuntos relacionados a escola e de assuntos múltiplos com tanta propriedade e sabedora encantadoras. É muito bom ouvir você falar, muito obrigado por nos permitir apropriar das inúmeras possibilidades de mudança: Uma pontinha dos seus muitos conhecimentos, porém, eu preferia ouvir a sua linha de pensamento inteligente, objetiva e eficaz, as interrupções da entrevistadora. E a gestão escolar continua a mesma. A maioria das organizações escolares do século XXI não se apropriam das inúmeras possibilidades de mudanças necessárias para melhoria das escolas como um todo. Mas… professor, porque o Julinho não pode ouvir as suas explicações? (FLOR, 2014, p. 19a)

Por exemplo: Um ‘tatu-peba poderá cavar um buraco no chão’, mas este animal o faz de forma mais naturalmente possível e, necessariamente, ele não faz isto guiado por um fim.

Ele já nasceu programado para fazer isto, o homem, este não. Isto é uma coisa histórica: uma coisa que ele recria. Quando ele consegue fazer isto. Vejamos se nós comparamos o homem antes de andar a cavalo, depois de domesticar o cavalo.

Vejamos isto: realizando nossa ação, em termos naturais: dois pés, cérebro e, tudo o mais, bem igual.

Mas se formos pensar em termos históricos, há aqui uma diferença fantástica: um necessariamente andávamos a pé, quando trabalhamos não transformamos apenas a natureza, mas transformamos nossa própria condição humana.

Pois o conceito de humano que trabalhamos aqui não se restringe ao seu corpo apenas, não termina na sua pele, no seu cérebro da forma como nascemos. Nós agregamos ou, acrescentamos aquilo do qual produzimos historicamente.

Agora somos um ser que poderá andar a pé ou a cavalo e, nós mesmos produzimos nossa liberdade. O que há de específico no homem? Este é o seu próprio sujeito de si.

O homem é um ser que se produz a si mesmo, o homem criou sua própria humanidade. E tudo que nós temos está baseado nisto, absolutamente tudo: a cirurgia do coração, chegarmos à Lua, tudo a quilo que fazemos, todas as tecnologias, todas as artes.

Aqui percebemos esta tão imensa discrepância, pois, as diferenças também nos trazem outros sentidos. Sentidos estes que nos orientam em nossas buscas diárias e, assim sendo, nos fazem caminhar sem descanso em busca daquela terra prometida, a qual nossos pais, e antepassados do clã são parte desta promesssa imaterial.

Tudo que existe foi feito desta forma: Nós queremos, estabelecemos um objetivo e, o fazemos. Então, tudo isto que produzimos que não existe naturalmente, que é produção humana, chamamos de cultura, neste sentido abrangente de cultura.

E nós temos uma certa peculiaridade: nós não precisamos a cada nova geração, ficarmos reinventando tudo. Pois, podemos apropriarmos da cultura produzida pelas gerações anteriores. Esta apropriação da cultura produzida pelas gerações anteriores nós a denominamos de educação, isto é o que significa, verdadeiramente, educação.

Educação não é, simplesmente, a transmissão de conhecimentos, como nossa escola pensa ou, imagina saber. Aqui vemos que transmissão de conhecimento seria algo impossível, nós não transmitimos conhecimentos.

A nossa escola, apenas tentando transmitir o conhecimento não o faz, por que? Por que isto, simplesmente, não existe.

Por que, do que o homem precisa para ‘adquirir conhecimentos é apropriar-se da cultura: dos conhecimentos, dos valores, de filosofia, de ciências, de artes, de tecnologias, dos direitos, das condutas, das habilidades’, (cf. PARO, 2014).

10Apropriar-nos de tudo isto que a humanidade produziu: isto seria a educação. Mas ainda há pessoas que acreditam que, ao observamos as disciplinas tradicionais, tais como: matemática, história, geografia, dentre outras, nada contra, não nos tirem nada disto, ao contrário, mas estão querendo tirar; nada contra as mesmas.

Só que algo que está muito errado em nossa escola e, esta não se preocupa com o conceito mais crítico de educação seria o fato de que, lá vamos para aprendermos a dançar, aprendermos a sermos um cidadão, no sentido mais completo da palavra e, sermos companheiros, de trabalharmos em equipe, de protegermos realmente o meio ambiente, de tomarmos conhecimento do que acontece na política. Percebemos como ficamos todos alienados.

Por exemplo: Da arte, não precisamos sermos um cliente da baixa, da baixíssima cultura musical, artística, que nós temos, etc., em nossa sociedade. Então, por aqui observamos que a escola não está fazendo o seu papel.

Sabemos que nosso Estado capitalista quer manter seu status quo, e a escola pública, faria a apropriação de valores, seria uma progressão de valores?

Se a escola pública produz “educação, no sentido democrático que a nossa civilização alcançou até hoje, esta deverá se preocupar de que nos apropriemos da cultura inteira”, (cf. PARO, 2014, p. 34b).

1.10METODOLOGIA:

A nossa escola pública quando vem a fazer apropriação de valores, mas o faz adequadamente?

Como em um Estado capitalista pode-se administrar a escola sem que seja capitalista? Se a escola pública, realmente produz educação, em um sentido democrático que a nossa civilização, alcançou até hoje, ela tem que se preocupar da apropriação da cultura inteira.

E nesta cultura inteira, entram: condutas, valores, conhecimentos e, assim por diante. Mas o Estado democrático não teria interesse nessa apropriação de valores? Ou se tem, não demonstra tê-lo.

Aqui devemos ter cuidado para não cairmos em um reducionismo, pois, o próprio maniqueísmo, no qual existe um Estado que quer dominar, um Estado que quer que sejamos alienados, nada disto existe.

O Estado não precisa ser mal, para fazer o mal e, não precisa também; basta este estado não ter claro: o que seria a educação, e ele faz o pior mesmo.

E o que nós percebemos é que, às vezes, algumas pessoas bem-intencionadas, não é o caso de governadores, ministros, etc.

Nenhum deles, mas nós observamos pessoas até, bem intencionadas, às vezes, conseguem não produzir, absolutamente, nada. Por exemplo, por eles não têm claro isto: esta dimensão técnica, do que seja educação, de como fazemos educação.

Por exemplo, quando nós nos convencemos de que o educando deverá ser sujeito, em outras palavras, ‘o educando só aprende se quiser’. Vejamos, Paulo Freire se dizia um Peregrino da obviedade, pois, ele chega para nós e, interpela-nos: “A nossa escola não ensina, não ensina mesmo!” (FREIRE, 1968)

Não ensina mesmo, podemos perceber pessoas no ensino superior, que tiveram diploma de ensino fundamenta que, teoricamente, conhecem uns 50% do ensino fundamental: nós, vocês, o secretário de educação, será que conhecemos ou, nós sentimos que o conhecemos?

Será que nós aprendemos aquilo que faz parte do conteúdo, será que nos aprendemos, será que determinado Ministro da Educação, se prestasse o SAEB, será que seria aprovado?

Percebemos, contudo, que não é maldade nenhuma, seria o seguinte: Nossa escola, por que tendo como objetivo ou, o crescimento da nação ou, o desenvolvimento econômico ou, simplesmente, atender ao reclame da população e, deixar-se simplesmente, silenciado: fazer-se conta que damos educação.

Esta tem uma concepção bastante antiga da escola tradicional. Houve um tempo que a escoa não precisava ser competente, pois, bastava ela atrair aqueles educandos, aqueles alunos, filhos das camadas mais ricas e, até por que estes eram os únicos que podiam ir, uma vez que as escolas eram bem poucas neste tempo.

Segundo a concepção da pedagoga Dra. Eliana TEIXEIRA (2014), ocorre o seguinte:

“Na década de 80, lecionei na prefeitura de Mauá e, nas escolas, não contávamos com Coordenador e nem Diretor e tudo funcionava muito bem. Nós tínhamos um Coordenador que ficava na prefeitura e direcionava as atividades em encontros mensais, quando fosse necessário. Nós não faltávamos e, se fosse necessário, nos organizávamos e o aluno não era prejudicado. O nosso trabalho era pensado no coletivo, por isso, concordo com o professor, não precisamos de Diretor.” (TEIXEIRA, 2014, p. 20b)

A escola atraía estes alunos para si, os quais já traziam um ‘background de conhecimento’. Queremos dizer, era o filho da mãe letrada, do pai letrado que tinha o teatro, que havia a viagem, o jornal diário e, havia também o professor particular, etc.

Esta criança quando chegava à escola era submetida a um sistema tão TRADICIONAL: no qual o professor docente fala e que o aluno aprende, que diríamos até mesmo, neste ‘sistema bancário’, sendo depósitos em um banco, segundo Paulo FREIRE (1968), como em um ‘banco de conhecimentos; de que o professor docente, como sendo o explicador e, apesar disso estes aprendiam mesmo assim’, (PARO, 2014, p. 35ª).

1.11 Como seria considerada uma boa educação na década de 1960? E, como se produz um sujeito cognoscente?

Não, na verdade, era péssima educação. Mas a escola não era ruim, parecia ser bem competente, mesmo tendo sido considerado bem relacional, boa até a década de 1960, até quando ela era uma escola elitista, ainda.

Cada cem anos que entravam no ensino fundamental, apenas uns quarenta e seis passavam para o segundo ano do ensino fundamental.

Assim, ela era tão incompetente, mas ninguém percebia, pois, aqueles que queriam escola, os que pagavam, os que mantinha a ESCOLA ficavam contentes ou, satisfeitos.

Mais ou menos o que fazem hoje as boas escolas privadas, pois, quando saem os resultados do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, por que a grande imprensa golpista que nós temos no Brasil.

Esta irá apresentar aquelas escolas que galgaram: o primeiro lugar, o segundo lugar, o terceiro lugar, mas não apresenta aquele tanto de escolas privadas que, também atende a camadas menos favorecidas da população e, mesmo sem direitos a nada disto.

Aqui percebemos que estas grandes escolas somente o são por que seus alunos não precisam de uma escola de qualidade, por que o professor é o mesmo da escola pública, o salário é bem menor e, o método é o mesmo.

Percebemos aqui o seguinte: Conhecemos e, passamos os conhecimentos, transmitimos o CONHECIMENTO e, isto não mais funciona em educação, mas por que não?

Por que iremos falar deste ‘processo de produção pedagógica: existe alguma coisa, assim como se produz uma mesa, nós pegamos prego, madeira, cola e, verniz, daí produzimos uma mesa, (cf. PARO, 2014, 36b).

Aqui temos como objetivo produzir um objeto, não um sujeito, sendo um objeto mesmo: aquela mesa. Estes objetos, também chamados objetos de trabalho, transformam-se em produto.

11Na educação, nós temos um trabalho, não é que nós iremos fazer de conta que é um serviço a mais, sendo este um legítimo trabalho: uma atividade adequada a um fim, só eu o produto dela é completamente diferente.

Mas existe um produto e, existe uma atividade adequada a um fim. Na escola, nós temos como fim: não produzir um objeto, um ser inanimado, algo que não seja um fim, um autor, mas nós temos com o fim produzir um sujeito. Como se produz um sujeito cognoscente?

Segundo o pedagogo Dr. Josevan Martins Vieira de Sousa (2014), ao definir as qualificações sobre o professor PARO, coloca o seguinte:

Vítor Henrique Paro possui mestrado em Educação pela USP, doutorado em Educação pela PUC-SP e livre-docência em Educação pela USP. Foi pesquisador sênior na Fundação Carlos Chagas e professor titular na PUC-SP. Atualmente é professor titular (Colaborador Sênior) da Faculdade de Educação da USP, onde exerce a pesquisa, a docência e a orientação de discípulos em nível de pós-graduação. É coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração Escolar (GEPAE). (SOUSA, 2013, p. 21a) 

Isto se daria assim: Propiciando condições para q